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também: Informações sobre o livro Comentários de Sérgio Lima |
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Marcelo Câmara / Jorge Mello / Rogério Guimarães |
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25.setembro.2001 Prezado Sérgio Lima, Li, e lhe agradeço, a sua crítica ao meu livro sobre Newton Mendonça, e registro, com interesse, a sua análise e perguntas. Meu nome é Marcelo Câmara (sou primo do Câmara Cascudo e do Dom Hélder Câmara) e não "Câmera". O meu nome e perfil profissional na área da música está na segunda orelha do livro. Não tenho, nem existe o patronímico "Câmera", pelo menos no Brasil. Peço-lhe, por favor, corrigir. Respondo às suas perguntas: 1) A primeira parte do Samba de uma nota só foi feita no inverno de 1954. Apenas a música. Newton ficou com esta música dentro dele, e até alguma coisa da segunda parte, até 1958 (talvez, como digo no livro, não chegue a 1959; ler o episódio de Newton com Geny Martins), quando, com muita insistência de Newton, Tom aquiesceu que sentassem ambos ao piano para fazer a segunda parte. Em 1959, ele mostrou a música, a primeira parte, já com letra, para um colega, pianista da noite. Mas não posso precisar se ele já havia se reunido com Tom para construirem juntos a música toda, música e letra. Como digo no livro, tudo era feito a quatro mãos, música e letra. Nunca houve um "letrista do Newton", ou um "compositor das letras do Tom", e vice-versa. Ambos eram grandes músicos e letristas. Posso garantir, como escrevi, que no caso das composições da dupla, quem tinha a idéia musical, quem criava o tema, quem tomava a iniciativa, na maioria das vezes, ou sempre, era o Newton, que era um grande melodista, criador, violinista, depois gaitista (a gaita, instrumento-solo) já aos onze, doze anos, antes do Tom conhecer música. 2) Depois de seis anos de pesquisas, ouvindo e conversando com dezenas de contemporâneos, familiares, músicos, compositores, amigos, companheitos da noite, reafirmo que não há, na parceria New-Tom, um compositor exclusivo ou um letrista, como aconteceu com outras parcerias de Tom, por exemplo, com Vinicius ou com Paulo César Pinheiro, poetas e letristas. E mesmo com Dolores Duran havia esta definição. No caso da dupla New-Tom, os dois faziam as duas coisas simultaneamente. Tudo está explicado no livro, no capítulo que trata do processo de criação (A parceria New-Tom, pág. 50) e no capítulo Um pianista e compositor de vanguarda (pág. 39). Tom não só nunca falou do assunto parceria New-Tom, como só falava de Newton raríssimas vezes, somente quando era insistentemente provocado. Quem identificava, com nitidez, onde estava Newton e onde estava Tom numa composição era o Baden Powell (leia depoimento dele no livro) e o Milton Banana - ambos falecidos. E quem identifica bem hoje é João Gilberto, segundo depoimento dado ao filho de Newton, Fernando Mendonça, em 1999, pouco antes deste morrer. Tudo isto está no livro. 3) Sobre a educação musical de Newton, tudo também está no livro. Parece que você não leu o meu trabalho, ou, apenas, passou os olhos. Newton foi quase que um autodidata. Aprendeu as primeiras lições de violino e piano com a mãe. Órfão e pobre, ao contrário de Tom, não teve uma educação musical formal. Estudou, segundo a irmã, oito anos de piano clássico. Mas, ao que apurei, quase sempre sozinho, adquirindo métodos e cadernos, pedindo emprestado, ouvindo profissionais etc. Teve lições informais com Villa-Lobos. Teve mestres esporádicos e lições intermitentes. Os professores da irmã, certamente, que estou identificando (ninguém especial ou de fama, como no caso de Tom). "Arrancava música de dentro dele", como disse o filho de Benedito Lacerda, Oduvaldo, seu colega de Colégio Militar, no livro. Se era arranjador? Eu insinuo isto no meu trabalho, mas não de maneira regular e profissional como ocorreu com Tom, que teve professores bem pagos e orientadores constantes. 4) Tom não foi "frio", quando Cirene foi pedir ajuda a ele. Na oportunidade, realmente, Tom estava sem dinheiro. Ambos estavam começando. Eu não disse isto no livro. Se passei essa impressão de frieza, perdão, ela não é verdadeira. 5) Ninguém sabe mais das relações pessoais e profissionais do Tom com Newton do que eu. E tudo está no livro, o qual, repito, creio que você não leu com vagar e atenção. 6) É incrível, mas não existe nenhuma fotografia do Newton com Tom. Os amigos, os companheiros de colégio, de praia, de chope, de música, de trabalho não têm. As famílias não têm. Nem a imprensa, nem as gravadoras. Pode ser que apareça daqui p'ra frente. Mas duvido. Agradeço o seu texto (corrigindo o meu nome, por favor) e coloco-me à sua disposição e do Luiz, para quaisquer outras informações e diálogo. Abraço você e o Luiz Roberto. Saudações Newtonianas. Marcelo Câmara
October 2.outubro.2001 Meu prezado Sérgio, Agradeço-lhe a resposta. Reconhecedora e gratificante. Quando falo na boa "crítica" que você escreveu, não há nada de negativo ou opositor nisto. Ao contrário. Qualquer trabalho intelectual e artístico, conscientemente ou não, é, em essëncia, crítico, como foi o seu texto, o qual, repito, gostei imensamente. Inclusive das indagações que você me fez. Indagações, questionamentos, provocações, - tudo isto é muito salutar, enriquecedor e faz parte do trabalho de quem cria, escreve e lê, como nós dois fazemos. Senti-me, ao contrário do que você pensou, lisonjeado com o seu texto. A locução "crítica construtiva" é pleonástica. Toda crítica é construtiva. A sua foi séria, honesta, acrescentativa, e, ainda, acompanhada de alternativas e de sugestões. Mesmo quando a crítica não apresenta essas características, mesmo sendo boboca, inútil, inócua, é válida. Serve para se conhecer o pseudo-crítico. O fato do autor gostar ou não gostar da verdadeira crítica é irrelevante. O importante é que se iluminou o objeto com lucidez, interesse, discernimento, competência e generosidade, como você fez. O que não tem cabimento é a "crítica" vazia, insana, desvirtuada, desarrazoada, que não vê, não pensa e não desperta. Você escreve bem, argumenta, é inteligente e instigante. Parabéns. Estou às suas ordens. Recomende-me ao Luiz. Com um abraço e saudações New-Tom-nianas, o Marcelo Câmara
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