Caminhos Cruzados
A vida e a música de Newton Mendonça

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Informações sobre o livro
Réplica, tréplica e final feliz - um pequeno debate entre Marcelo Câmara e Sérgio Lima

Marcelo Câmara / Jorge Mello / Rogério Guimarães

   

 
O TOM DE NEWTON MENDONÇA
Comentários de Sérgio Lima
19.agosto.2001

Quando eu tinha 14 anos de idade eu arrumei o meu primeiro emprego na Rádio Brasil de Santa Bárbara D'Oeste, uma cidadezinha no interior do Estado de São Paulo, perto de Piracicaba. Eu era uma espécie de ajudante da rádio, mas adorava o emprego porque podia ouvir, de graça, os discos e lps que o meu pai não podia me comprar.
Um deles que eu não cansava de ouvir era Agostinho Dos Santos cantando Foi a Noite. E descobri que a música, linda, com uma melodia completamente diferente era de dois compositores cariocas, pouco conhecidos na época ( o ano era 1958) chamados Tom Jobim e Newton Mendonça.
A música brasileira cruzava um caminho completamente inovador que viria explodir com a famosa gravação de João Gilberto, Chega de saudade, do Tom e Vinícius, que aconteceu no mesmo ano que eu ouvia Foi a noite. Foi um acontecimento em todos os cantos do Brasil.
Logo depois, João Gilberto chegava com outro disco. Desta vez, cantando Desafinado, da mesma dupla de Foi a Noite e que se tornou o manifesto da bossa-nova.

Uau! Que anos dourados, aqueles!
Eu fiquei fissurado nas quatro figuras antológicas destes anos maravilhosos da música popular: Tom, Vinícius, João Gilberto e Newton Mendonça. Os três primeiros eu acompanhei toda a vida deles, fui ver todos os shows possíveis e essas coisas de quem é fã de carteirinha. Mas do Newton, não, infelizmente. O Newton Mendonça morreu muito cedo, em 1960, quando ele tinha apenas 33 anos e a gente pouco pode saber dele.

Felizmente agora, o jornalista e consultor cultural Marcelo Câmara presenteou os fãs de Newton Mendonça com um precioso documento, o livro Caminhos Cruzados ­ A vida e a música de Newton Mendonça, da Mauad Editora, que traz também as partituras de todas as músicas do Newton, copiadas por Jorge Mello e Rogério Guimarães. Quem não leu e é fã do Newton Mendonça e do Tom Jobim precisa lê-lo urgentemente. Você pode encontrar o livro, ou encomenda-lo, na Livraria Cultura ou Siciliano.

Claro que aqui, por ser o Clube do Tom, eu vou falar mais da grande parceria destes dois monstros sagrados da música popular brasileira. No livro, entre outras coisas, o Marcelo Câmara traça um paralelo interessante sobre Tom Jobim e Newton Mendonça chamado Vidas Paralelas/Caminhos Cruzados.
O Newton foi o primeiro parceiro do Tom. Eles se conheceram na adolescência, quando tinham 15 anos e se tornaram grandes amigos e parceiros em 17 músicas inesquecíveis, entre elas Desafinado, Caminhos Cruzados, Discussão, Meditação.
Tudo isto está lá no livro.

Você também fica sabendo - e para mim foi uma surpresa - que o Newton Mendonça havia composto a primeira parte de Samba de uma nota só em1954 e só terminou, com o Tom, em 59.

E com isso vem uma dúvida que a gente remete para o Marcelo Câmara:
-Essa primeira parte era só a música ou já havia a letra?

Outras dúvidas que o livro não esclarece. Por que é que o Tom, quando em vida, nunca falou claramente o que cada um fez na música e na letra? Quem foram os professores de música de Newton? Como foi a sua formação musical, já que ele, além de pianista, era também arranjador? Por que é que o Tom foi tão frio quando a viúva do Newton, desesperada, foi lhe pedir ajuda?
São muitas as informações do Newton Mendonça e de sua relação com o Tom que a gente quer saber e que o próprio Marcelo talvez não saiba.
Outra coisa que fica faltando no livro são mais fotos do Newton. A gente não vê nenhuma fotografia dele com o Tom. Será que eles não tiraram nenhuma foto juntos? Sei que, para a 2a.edição, Marcelo Câmara vai trazer novidades e mais informações sobre a vida do Newton Mendonça. Quem sabe ele descobre mais fotos também.

De qualquer forma, o livro é uma relíquia para quem quer conhecer uma pouco mais da história do cancioneiro popular. O patrimônio musical brasileiro precisa de muitos Marcelos Câmaras.
Quem sabe agora as gravadoras tomem vergonha na cara e relançam em CD o único Lp que saiu com músicas dele. Quem sabe o Almir Chediak não faça um CD com todas as músicas do Newton, principalmente as inéditas que estão no livro.
Quem sabe você mesmo, Marcelo Câmara, em sua nova edição possa trazer encartado um CD com todas as músicas que estão no livro.

Seria um presente maravilhoso para todos nós.

 


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