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11.outubro.96 |

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Jobim é a prova indiscutível de que existem músicos e existem magos.
Milhões de melodias são compostas diàriamente para serem cantadas, para trilhas de filmes ou para vender pasta de dentes na TV. De repente um carioca pega duas únicas notinhas e as repete monòtonamente numa canção e o maior crítico de jazz americano declara: "Águas de Março é uma das 100 melhores do século".
Jobim pega a mais simples e banal estrutura rítmica e a repete inúmeras vezes até completar os 8 compassos de uma canção e, do maior cantor do século, Frank Sinatra, ao mais modesto crooner de boate de Bankok, todos interpretam "Garota de Ipanema" à exaustão deles, não da música. Como se isso fosse demais, esse "One-Finger-Man", como é chamado Jobim nos EEUU, martela um sambinha de uma nota só e a cúpula do jazz americano - não aqueles que produzem música naquele país para festinhas de aniversários ou formatura, que adoram ritmos exóticos latinos - sim, a mais inteligente e criativa faixa da música americana cai de joelhos e repete essa mesma nota até tornar o nosso Tom conhecido nos Estados Unidos e no mundo. |
![]() | Jobim é como Mozart que no auge de sua criatividade compôs simplérrimos e cristalinos "Divertimentos para Cordas". Você olha a partitura e vê: não tem nada de novo. É um acorde de dó maior ao lado de um de ré maior. No entanto há 200 anos o mundo se arrepia ao ouvir essa sucessão "óbvia". Um amigo meu esteve com Karajan nos últimos momentos de sua vida e ouviu o regente do século dizer: "Que pena que eu vou morrer agora. Eu havia acabado de detectar alguns novos mistérios nos divertimentos de Mozart. Eu precisaria mais alguns anos para entendê-los melhor..." |
| Jobim é como Erik Satie que no final do século passado, enquanto todo mundo compunha música em toneladas, envolvidos no patos romântico, em paixões desenfreadas, este solitário francês compunha suas Gynmnopédies. Aqui algumas poucas notas pairavam descontraidamente sobre dois acordes de sétima que se sucediam indefinidamente e essa monotonia estática conseguiu se cristalizar naquilo que os teóricos consideram hoje o verdadeiro start do século XX musical. Apesar da enxurrada de melodias que foram criadas pela fúria da indústria cultural que se instalou neste século, as Gynmnopédies de Satie continuam pairando soberanamente no Olimpo dos magos, a todos intrigando e encantando. |
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| Pois é: Jobim é como Mozart, é como Satie. Ou é como Stan Getz definiu : "O maior melodista da segunda metade do século XX". |
Julio Medaglia é maestro.
| Colaborações | ![]() |
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