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entrevistado por
CAPÍTULO IV |
CL - Desde quando o João Gilberto me apresentou ao Tom em 1955, até 1962, quando nós fomos juntos para o concerto no Carnegie Hall, nós sempre nos frequentamos muito, trocamos muita figurinha.
E tem uma passagem muito engraçada desse concerto.
LR - Mas qual era a história que você ia contar?
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LR - Carlinhos, o ritmo bossa nova, apareceu com o João Gilberto? A primeira vez que você ouviu o ritmo bossa nova, foi com o João? E o Tom, começou a tocar essa batida depois do João?
A primeira vez que o João fez isso, foi no Bar do Plaza, em 1955. Ele costumava ficar num cantinho lá atrás, e me chamou: "Carlinhos, vem ver isso aqui!" e tocou pra mim.
LR - Ele colocava os dedos ao contrário! CL - Ele dizia que teve um problema na mão, por causa daquele negócio de tocar muito tempo desse jeito. LR - Mas ele mudou, depois, porque eu o vi várias vezes tocando na posição normal. CL - Mudou. Desde 1957 ele já não tocava mais assim, ele passou a tocar do jeito normal. Até 1956 ele ainda tocava tudo trocado - e aí, aquela outra coisa que ele tocou também na minha frente, com os dedos da mão direita trocados e eu fiquei observando aquilo o dia inteiro, tinha que olhar de cabeça para baixo, para poder entender
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CL - "Chega de saudade" foi a primeira música que o João Gilberto gravou. Primeiro no disco da Elizete e depois foi também a primeira música que ele gravou em single.
O Ronaldo Boscoli chegou quase perto, disse que bossa nova é um estado de espírito. É mais um estado de corpo, porque bossa nova é tudo, então, se não for bossa nova, eu não sou bossa nova, "Minha Namorada" é um samba-canção, é um bolero. "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" não é samba nem aqui nem na China, é marcha rancho, e "Primavera" é modinha, inspirada em chorinho (Carlos Lyra toca um trecho de "Primavera" no violão).
LR - Parece um bolero! CL - É um beguine, do próprio João Gilberto, que fez as batidas, que arredondou tudo. A partir do momento em que ficou uma maneira de tocar, de expressar, todas as músicas passaram a ter uma...(característica). Tanto que o Tom dizia: "É, a coisa está mais pra violão do que pra piano. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, os americanos não me deixaram tocar piano, disseram que bossa nova era violão, e eu tive que tocar violão. Mas eu sou edipiano".
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Vinicius de Moraes, em "Samba da Benção" |
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